Nos últimos dias, uma hashtag chamou à atenção nas redes sociais: #MãesContraFelipeNeto e, como sempre, o blog Muito chique vai investigar do que se trata e como isso começou. Não vamos analisar quem tem ou não razão, isso não cabe a nós, mas os fatos existem e ao serem confirmados, cada leitora formará  sua opinião da forma que os seus valores pessoais permitirem. A história não começou ontem ou nessa semana. Antes de partirmos para a cronologia de vídeos e fatos, temos que deixar claro quem são as pessoas envolvidas nele, porque acredito que isso dê a real dimensão do que está acontecendo.


 

Campanha #mãescontrafelipeneto

Temos que conhecer primeiramente Antônia Fontenelle, atriz e apresentadora de um canal no Youtube. E, pelo que procurei de sua carreira profissional, a artista ficou mais conhecida pelas polêmicas em torno da herança do ex marido – o diretor Marcos Paulo – com a atriz Flávia Alessandra, do que com seu currículo.

Envolvidos na campanha #mãescontrafelipeneto

Do outro lado do ringue estão  os irmãos Felipe e Luccas Neto, também Youtubers. Felipe, que atua há mais de dez anos no Youtube, começou sua carreira em vídeos de denúncias e ridicularizações do cotidiano, no extinto canal " Não faz sentido ". Desde essa época já angariava tanto fãs, quanto haters na internet. Na sequência, ele e seu irmão Luccas, iniciaram, com muito êxito, um conteúdo voltado para crianças e jogos on line. Ficando assim nacionalmente famosos e ganhando bastante dinheiro. Depois de alguns anos, os irmãos dividiram suas áreas de atividade, ficando apenas o Luccas ligado ao público infantil.

Quando começou o #mãescontrafelipeneto

Nessa mesma época, Felipe Neto mostrou-se voltado ao público mais adulto, com conteúdo politizado e crítico no Twitter. Seus tuites de críticas políticas são infinitamente retuitados fazendo dele uma figura muito influente nessa área. Questionado sobre aspirações políticas no programa Roda viva da TV Cultura, Felipe disse que sequer tem idade para pensar em ser presidente.  Felipe, que ainda se alimenta de polêmicas para se manter nos assuntos mais comentados da internet, mostrou-se mais maduro e admitiu que cresceu e evoluiu muito nos últimos anos.

Então voltamos ao começo da confusão, que não foi nessa semana, e sim lá no dia 15 de Junho quando Antonia posta um vídeo com cenas editadas de cinco Youtubers, entre eles os irmãos Neto, e o conteúdo está relacionado à sexo. A partir daí, a atriz afirma ter recebido muitos outros vídeos de Felipe que seriam má influência para as crianças que o assistem.  Os irmãos processaram Antonia em 200 mil reais alegando terem sido vítimas de difamação. Na contrapartida, a atriz resgata uma hashtag que não era utilizada desde 2018, a que é o assunto desse post: #mãescontrafelipeneto. Essa hashtag surgiu quando uma psicóloga criticava o consumismo de produtos infantis pelas crianças pelos publieditoriais que Felipe Neto postava em seu canal. A hashtag nada tem  a ver com conteúdo sexual e crianças, que fique claro.

Consequências da hashtag #mãescontrafelipeneto

Antonia Fontenelle ameaça nas suas redes que irá iniciar a terceira guerra mundial após ficar sabendo do processo movido pelos irmãos. E parece ter causado certo rebuliço, porém longe de uma guerra e longe também da própria relevância.

Reflexões sobre a campanha #mãescontrafelipeneto


Propondo duas reflexões após a exposição dos fatos. Felipe Neto já apagou o conteúdo, que não era no seu canal infantil, há muito tempo. Já fez comentários sobre ter se arrependido da sua postura imatura em várias oportunidades, inclusive na sua participação no programa de TV já citado.  O Youtuber não cria mais conteúdo para o público infantil, nem os deixa disponível para faixas etárias possivelmente influenciadas pela temática vulgar, segundo a atriz. Ou seja, não existe nenhuma ação que possa ser tomada que já não tenha sido feita mesmo antes da criação da hashtag.

O que precisamos refletir após a hashtag #mãescontrafelipeneto

E por último, o conteúdo infantil seja na TV, internet, livros ou qualquer que seja a forma de acesso, deve estar sob supervisão dos pais, não podendo ser, de forma alguma, delegado à terceiros. Existe uma infinidade de canais e conteúdos impróprios atualmente no Youtube, talvez a energia gasta em gerar hashtags contra conteúdos que não existem mais, possa ser transformada em diálogo dentro de casa. Apenas refletindo sobre prioridades.


Que essa história toda tenha servido para aprendermos a não sermos manipulados, a aprendermos a enxergar o todo, a questionar. Se vamos perdoar Felipe, não importa nesse momento, mas pensemos que os discursos de ódio na internet e a cultura do cancelamento como um todo, são um péssimo exemplo para as gerações futuras.