Está buscando mais informações sobre a laqueadura, cirurgia que liga as trompas e não permite que a mulher tenha mais filhos? Este post é pra você!

Existe uma realidade que não podemos ignorar, as famílias encolheram.  Em 1980 a média de filhos por mulher no Brasil era de 4,4, hoje é de apenas 1,72. Muitas mulheres optam por apenas uma criança e muitas outras decidem não ter filhos biológicos. Com essas mudanças, que são razoavelmente atuais, a laqueadura tem feito parte da vida de muitas mulheres. Até mesmo das mais jovens. O post de hoje vem nos mostrar algumas vantagens, desvantagens, a realidade e os mitos que envolvem esse assunto.

Laqueadura

Era muito comum falar em ” ligar as trompas ” mas ligar dá a sensação de estar unido, e não de algo que irá parar de exercer sua função. O que é essa cirurgia na prática? A ligadura de trompas, também conhecida como laqueadura, trata-se de uma cirurgia que tem como objetivo esterilizar a mulher para que ela não possa mais engravidar, sendo que esse procedimento é totalmente voluntário. Durante essa cirurgia, as trompas são amarradas, ou até mesmo cortadas. Isso vai depender do parecer médico e faz com que o óvulo e os espermatozoides deixem de se encontrar.

Apesar de a Lei Brasileira permitir a laqueadura tubária em mulheres com mais de 25 anos ou que tenham mais de 2 filhos, os médicos são recomendados a desestimularem o procedimento pois, pode gerar um certo arrependimento, visto que a cirurgia é irreversível, por isso deve ser encarada como última escolha. Ela é considerada um método contraceptivo definitivo, por esse motivo é altamente indicado que a mulher faça uma análise mais cuidadosa antes de optar fazer esse método, pois a cirurgia não é um simples método contraceptivo, trata-se da esterilização da mulher.


Tipos de laqueadura

Atualmente, existem três opções para realização da laqueadura tubária:

Via Laparoscópica

A laqueadura por laparoscopia é um procedimento cirúrgico realizado através do abdômen, com introdução de um dispositivo chamado laparoscópio. O médico pode usar anéis ou clips para fechar as trompas. Outra possibilidade é cauterizá-las por meio de calor.

Minilaparotomia

A minilaparotomia é uma cirurgia feita imediatamente após o parto ou até dois dias depois. O médico faz uma pequena incisão no abdômen e, em seguida, remove uma parte das trompas de Falópio de cada lado. Este procedimento não deve ser feito muitos dias após o parto, já que o útero ainda grande facilita a cirurgia.

Laqueadura tubária histeroscópica

A laqueadura tubária histeroscópica é uma laqueadura sem cirurgia, que pode ser feita fora de ambiente hospitalar, apenas com anestesia local.

Neste procedimento o aparelho endoscópico, chamado histeroscópio, entra pela vagina, atravessa o útero e chega às trompas onde insere uma pequena mola chamada Essure. A inserção de um objeto estranho nas trompas causa uma reação do sistema imunológico, provocando inflamação e posterior crescimento de tecido cicatricial, o que provoca o fechamento das trompas.


Recuperação da Laqueadura

O tempo de recuperação pode variar e pessoa para pessoa, e o mesmo vale para o tipo de anestesia que será usada, sendo que o mais recomendado é evitar qualquer tipo de atividade mais pesada nas primeiras 24hs a 48hs.

E para evitar que haja qualquer tipo de arrependimento, é comum que a pessoa precise esperar por pelo menos 60 dias entre a data do pedido até o dia da cirurgia, pois nesse intervalo, poderá fazer uma reflexão para ter a certeza que realmente essa é a melhor solução.

Vale lembrar que a laqueadura não altera de maneira alguma o ciclo menstrual, também não tem nenhuma influência na alteração dos níveis de hormônios, sendo que muitas vezes é possível afirmar que a ligadura de trompas ajude inclusive a diminuir os riscos de desenvolver um câncer de ovário. Vale lembrar que mesmo sendo um procedimento altamente seguro, o nível de falha é de 0,1 a 0,3 por 100 mulheres (taxa anual).

Vantagens da laqueadura tubária

  • Dentre todos os métodos anticoncepcionais vigentes, a laqueadura tubária é aquela que apresenta o menor risco de gravidez;
  • Economia relacionada aos possíveis gastos com outros anticoncepcionais;
  • Não interfere na libido;
  • Não interfere no processo de amamentação;
  • Raríssimas complicações para realização cirúrgica desse procedimento;
  • Benéfico para mulheres que são portadoras de doenças que oferecem risco à saúde.

Desvantagens da laqueadura tubária

  • Não evita a transmissão de DSTs;
  • Muitas mulheres se arrependem e o procedimento, em alguns casos, é de difícil reversão;
  • Risco de desenvolvimento da síndrome pós laqueadura: alteração do fluxo menstrual e dor na região pélvica (as evidências atuais não comprovam a existência dessa síndrome, porém observamos que algumas pacientes apresentam esse quadro após a realização da laqueadura);
  • Difícil acesso nos serviços públicos, mesmo que seja um procedimento que é coberto pelo SUS.
  • Antes de tomar qualquer decisão, converse muito com seu parceiro e com seu ginecologista. Eles irão auxilia-la no processo de decisão.
    Relembrando que é muito comum as mulheres questionarem sobre a realização do procedimento durante o parto, aproveitando o momento da cirurgia, contudo o método não é indicado nesse período devido à fragilidade da situação.

É possível reverter a laqueadura?

A gente sabe que não é esse o objetivo da cirurgia, mas mulheres que desejam engravidar, após a realização da laqueadura tubária, podem optar por uma cirurgia de reversão.  A taxa de sucesso da reversão é de apenas 20%. Por isso, se a paciente tiver qualquer dúvida ou insegurança, a laqueadura não deve ser o método contraceptivo de escolha. Alguns fatores influenciam a reversão da laqueadura, tais como a técnica utilizada na mesma (local do corte na trompa) e o comprimento que restou da trompa após o procedimento da laqueadura. Isto deve ser analisado caso a caso, com a utilização de laparoscopia na paciente.

A reversão de laqueadura pode ser realizada através da cirurgia tradicional ou através de videolaparoscopia. O tempo necessário para avaliar se houve sucesso ou não na reversão da laqueadura é de seis meses a um ano após o procedimento. É importante ressaltar que a gravidez nas trompas após recanalização tubária acontece com maior frequência. Tal reconhecimento deste fato é importante pois um diagnóstico precoce evita, na maioria das vezes, que evolua para ruptura tubária e hemorragia interna, uma das grandes causas de morte materna.


Fertilização in vitro pós laqueadura

Nos casos em que a mulher tenha mais de 36 anos, baixa reserva ovular ou outros sintomas de subfertilidade do casal, como pacientes com problemas de ovulação ou homens com alteração seminal, é recomendada a Fertilização in Vitro (FIV) ao invés da reversão de laqueadura, alcançando uma maior taxa de sucesso e ajudando a mulher a realizar o sonho de ser mãe novamente.

O ideal é consultar um médico especialista em reprodução assistida para uma decisão conjunta e personalizada do melhor procedimento para obter a gestação.

 

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